Eu acredito em amor à segunda vista.
É o amor da perda.
Muito mais forte que o amor recém-nascido.
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09 junho 2013
Pedra
E se o amor fosse pedra?
duro
difícil
árduo
intransponível
sólido
concreto
monocolor
multicolor
pesado
terrível
fardo
Parece eterno
único
estável
certo
controlável
Enquanto dissolve
lento
quieto
imperceptível
Amor não é pedra.
É pó.
07 janeiro 2013
SONETO REINVENTADO
Quero mais primaveras que viram verão,
mais relógios loucos sonhadores,
e até mais mais despertadores,
mais sentimento, menos razão.
Quero mais alegria medida em segundo,
mais desse estar perto-longe,
mais cheiros doces,
mais dessa urgência de fim do mundo.
Quero mais palavras que soam como melodia,
mais dessa saudade sem métrica,
quero de todo dia uma rima.
Quero mais momentos convertidos em memórias,
se bons ou nem tanto, pouco importa,
quero todas as páginas dessa história.
Nada espero além da vontade que tenho.
Não quero flores, nem enfeites,
Quero mais da gente.
23 fevereiro 2012
Corte
Seu olhar, espesso, cortou meus sonhos como uma faca.
Revelou-me por inteiro.
Saboreou demoradamente minhas fatias.
Pedaços de quem busca não ser o que sempre será:
desejoso de tudo,
amante do mundo,
depositário do amor que ainda não caiu na conta.
Revelou-me por inteiro.
Saboreou demoradamente minhas fatias.
Pedaços de quem busca não ser o que sempre será:
desejoso de tudo,
amante do mundo,
depositário do amor que ainda não caiu na conta.
13 julho 2010
letargia
Uma pessoa apaixonada perde a vontade de fazer qualquer coisa que não seja amar.
Os desejos perdem sentido, os sonhos diminuem, os anseios somem.
Por um curto espaço de tempo, o apaixonado esquece de sua humanidade e não atribui outro valor à vida se não o de dedicar-se fielmente ao ser amado.
É uma entrega de corpo, alma, pensamentos, ações e sentidos.
Parece não haver energia suficiente para as atividades do cotidiano, pois toda a carga disponível é gasta em longas horas definhando
sobre todas as situações possíveis e impossíveis. Algumas jamais chegarão a acontecer.
É uma espécie de letargia boa.
Nada mais soa tão interessante. Mas quando a pessoa surge no campo de visão, todos os sentidos voltam à tona e se concentram especialmente em observá-la atentamente, comparando o real ao projetado, apenas confirmando, a cada momento, o quanto ela é apaixonante.
É divertido, bobo, com um quê de triste. Mas é a realidade não controlável de alguém que perde toda a racionalidade e pensa estar com a situação sob controle quando, na verdade, seus sentimentos podem domá-lo como o mais dócil dos animais.
Os desejos perdem sentido, os sonhos diminuem, os anseios somem.
Por um curto espaço de tempo, o apaixonado esquece de sua humanidade e não atribui outro valor à vida se não o de dedicar-se fielmente ao ser amado.
É uma entrega de corpo, alma, pensamentos, ações e sentidos.
Parece não haver energia suficiente para as atividades do cotidiano, pois toda a carga disponível é gasta em longas horas definhando
sobre todas as situações possíveis e impossíveis. Algumas jamais chegarão a acontecer.
É uma espécie de letargia boa.
Nada mais soa tão interessante. Mas quando a pessoa surge no campo de visão, todos os sentidos voltam à tona e se concentram especialmente em observá-la atentamente, comparando o real ao projetado, apenas confirmando, a cada momento, o quanto ela é apaixonante.
É divertido, bobo, com um quê de triste. Mas é a realidade não controlável de alguém que perde toda a racionalidade e pensa estar com a situação sob controle quando, na verdade, seus sentimentos podem domá-lo como o mais dócil dos animais.
21 junho 2010
eu tava pensando...
que o vício é a extrema necessidade de ter algo que, até então, não fazia falta.
O amor é a descoberta de algo que se procurou a vida toda.
10 junho 2010
sobre coisas importantes
Paixão é uma coisa mágica e também estranha. Pode ser muito boa, ou muito ruim.
O mais incrível da paixão é a quase impossibilidade de evitá-la. Não se sabe bem onde começa e pra onde vai.
É como querer vencer uma batalha sem saber a estratégia do inimigo.
Às vezes ela evolui, encontra terreno fértil e vira o famoso amor. Às vezes simplesmente morre no meio do caminho.
Às vezes passa rápido, às vezes é sofrida.
Certa vez ouvi algo que nunca vou esquecer: todos os filmes, poemas, músicas, toda e qualquer palavra dita sobre o amor, são, na verdade, sobre a paixão.
O amor é maior que todas as palavras, verdade. Mas, além disso, é a paixão que libera toda a energia da expressão. É ela quem nos faz querer gritar e espalhar não só para a pessoa amada, mas pra todo o mundo, o que estamos sentindo.
O amor é calmo, já dizia o poeta. Ele é simplesmente vivido, sentido. Ele simplesmente é.
O mais incrível da paixão é a quase impossibilidade de evitá-la. Não se sabe bem onde começa e pra onde vai.
É como querer vencer uma batalha sem saber a estratégia do inimigo.
Às vezes ela evolui, encontra terreno fértil e vira o famoso amor. Às vezes simplesmente morre no meio do caminho.
Às vezes passa rápido, às vezes é sofrida.
Certa vez ouvi algo que nunca vou esquecer: todos os filmes, poemas, músicas, toda e qualquer palavra dita sobre o amor, são, na verdade, sobre a paixão.
O amor é maior que todas as palavras, verdade. Mas, além disso, é a paixão que libera toda a energia da expressão. É ela quem nos faz querer gritar e espalhar não só para a pessoa amada, mas pra todo o mundo, o que estamos sentindo.
O amor é calmo, já dizia o poeta. Ele é simplesmente vivido, sentido. Ele simplesmente é.
29 março 2010
Sobre o amor Parte 1
Em meio a trabalhos de faculdade, textos pra ler e jobs na mesa, dou uma pausa para falar de um assunto que tem povoado 99% dos meus pensamentos, de todas as formas possíveis. É algo um tanto quanto complicado de falar, um daqueles temas que, quando queremos exteriorizar, falamos por meias palavras, usando parábolas e exemplos que parecem não ter nada a ver com a nossa realidade, mas que no fundo é exatamente o que estamos vivendo. Por esse motivo esse seja talvez o texto mais sincero que eu já escrevi e publiquei. Sim, há outros que nunca serão compartilhados. Mas esse, sabe-se lá porque, merece uma atenção especial.
O amor.
O maior clichê da humanidade.
Como é complicado, e muitas vezes enfadonho, falar e ler sobre o amor. E talvez seja simplesmente pela agonia de tentar entender algo que nunca ninguém conseguiu explicar. E também pela ânsia em ver na boca de outrem palavras que podiam ter saído da nossa boca. Ou simplesmente a incapacidade de entender sentimentos quando a ausência deles impera em nós.
E é justamente nesse momento da vida pelo qual, acredito eu, todos passam, que nos vemos diante de aceanos de pensamento, do estilo: deve ter algo de errado comigo. Como posso não sentir nada. Como pode existir ausência de amor? Como posso não conseguir derramar sequer uma lágrima, mesmo precisando disso?
E, acreditem em mim, esse momento existe. Mesmo com as pessoas que se dizem mais românticas. Nenhum coração reage bem à dor. Ele sempre vai rebater com a ausência de sentimento. Isso não significa nada além de um escudo invisível contra mais sofrimento. É bem difícil de entender, mas fica claro como água quando se vive algo assim.
Comecei a pensar nessas coisas todas do coração e agrupá-las melhor na cabeça quando tive uma conversa muito esclarecedora, na qual o amor foi definido, muito sabiamente, como um fluxograma:
Eu gosto de você > você gosta de outra > que gosta de outro >
E por aí vai. A conclusão óbvia é o quão difícil é fazer a setinha virar pra gente. Como é raro e praticamente impossível amar e ser amado.
Não estou falando de namoros longos, casamentos de uma vida. Nada disso necessariamente significa um relacionamento pautado no amor. O nome disso é comodidade, paixão, medo, insegurança, carinho, companherismo e muitos outros sentimentos bons ou ruins.
O que quero dizer é que, ao contrário do que pensei durante quase a vida toda, o amor talvez não seja totalmente descoberto até que se perca. Que outra razão teria para tantas pessoas arrependidas e desesperadas ao final de relacionamentos que julgavam nem serem tão importantes. No começo pode ser por uma série de razões, como as citadas acima. Mas quando a pessoa vê os meses e anos passarem e aquela convicção continua viva em seu coração, aí eu me pergunto: será isso o verdadeiro amor?
Esse pensamento pode levar a uma conclusão fatalista: o amor está predestinado a nunca ser concretizado. Afinal, se descobrimos apenas o quanto amamos alguém quando perdemos e se não conseguimos reconquistar esse amor, que outra certeza pode-se ter senão que o amor é platônico, por definição?
Posso falar o que acho? Que nem eu, nem ninguém, tem a resposta para essa pergunta. E, se leu até aqui na esperança de encontrar algo novo, uma nova visão ou, quem sabe, um simples escape, desculpe, mas vou ter que decepcioná-lo.
11 janeiro 2010
A conversa
Centro da cidade.
Prédios de média estatura, indecisos entre o creme e o cinza, pintando a cidade. Buzinas, pessoas, um vai e vem quase infinito.
Ela desliza por entre as lojas, olhando vitrines, sem um objetivo certo.
Calçadas cheias, quase nenhum espaço para pensar.
De repente uma voz. Olá.
É ele. Nossa. É ele.
E como uma forte rajada de vento, o coração dispara. Não quer parar.
Para. Por favor. Para coração. Por cinco minutos. Nem que eu pare de respirar. Só não quero morrer de amor.
Mas o que estou dizendo, pensa. Não pode ser. Não estou apaixonada. Não por ele. Não pode realmente ser verdade.
A conversa flui. Nervosa.
Um beijo de cumprimento. Um sorriso. Ah! Que lindo sorriso. Uma voz meiga. Um novo sorriso. Uma lembrança de momentos vividos. Um passado não tão distante.
Mas o que é realmente isso? Sua mente divaga novamente. Como se estivesse em dois lugares ao mesmo tempo, começa a pensar sobre aquele momento enquanto ainda o vive.
Tenta entender o que não tem explicação. Tenta enganar o próprio coração.
A paixão, quando chega, afinal, não pede mesmo licença. Simplesmente entra. Às vezes com pequenos avisos sutis. Às vezes com um disparar intenso de coração.
Pode-se controlar até certo ponto. Depois...Bom, depois ele escreve sua própria história. E então vivemos à deriva de sua vontade, como meros espectadores.
Para coração. Eu suplico. Não quero. Não vou me apaixonar. Não posso. Não devo. Muito menos por ele. Aquele que há um mês me deixou parada na porta, sem saber qual o próximo passo.
Vontade de ultrapassar os limites da pele. Tocá-lo. Fazê-lo parar. Medo de ser ouvida em suas revelações involuntárias.
Ruas ainda cheias. Talvez o mundo tenha parado. Mas agora voltou ao seu ciclo natural.
Estação.
Anda. Ainda pensando. Sonhando. Ou tentando não sonhar. Imagina. Mil situações. Muitas delas não virão a ser realidade. Quem sabe. Ninguém conhece o dia de amanhã.
Não sabe se está radiante ou triste. É a doce confusão que toma conta do coração que se recusa a ouvir a própria voz.
No meio da multidão de fim de tarde pega o trem para casa.
Droga. Droga. Não acredito.
Percebe já no meio do caminho que pegou o trem errado.
Não acredito que confundi o lado. Há quanto tempo isso não me acontecia.
Desce. Atenta atravessa a passarela.
Adentra o trem correto. Ruma. Esquece momentaneamente do acontecido, da conversa, dele.
Chega. Saída da estação. Caminha tranquilamente. Relembra. E seus passos dissolvem-se em meio a tantos outros pensamentos incertos.
Prédios de média estatura, indecisos entre o creme e o cinza, pintando a cidade. Buzinas, pessoas, um vai e vem quase infinito.
Ela desliza por entre as lojas, olhando vitrines, sem um objetivo certo.
Calçadas cheias, quase nenhum espaço para pensar.
De repente uma voz. Olá.
É ele. Nossa. É ele.
E como uma forte rajada de vento, o coração dispara. Não quer parar.
Para. Por favor. Para coração. Por cinco minutos. Nem que eu pare de respirar. Só não quero morrer de amor.
Mas o que estou dizendo, pensa. Não pode ser. Não estou apaixonada. Não por ele. Não pode realmente ser verdade.
A conversa flui. Nervosa.
Um beijo de cumprimento. Um sorriso. Ah! Que lindo sorriso. Uma voz meiga. Um novo sorriso. Uma lembrança de momentos vividos. Um passado não tão distante.
Mas o que é realmente isso? Sua mente divaga novamente. Como se estivesse em dois lugares ao mesmo tempo, começa a pensar sobre aquele momento enquanto ainda o vive.
Tenta entender o que não tem explicação. Tenta enganar o próprio coração.
A paixão, quando chega, afinal, não pede mesmo licença. Simplesmente entra. Às vezes com pequenos avisos sutis. Às vezes com um disparar intenso de coração.
Pode-se controlar até certo ponto. Depois...Bom, depois ele escreve sua própria história. E então vivemos à deriva de sua vontade, como meros espectadores.
Para coração. Eu suplico. Não quero. Não vou me apaixonar. Não posso. Não devo. Muito menos por ele. Aquele que há um mês me deixou parada na porta, sem saber qual o próximo passo.
Vontade de ultrapassar os limites da pele. Tocá-lo. Fazê-lo parar. Medo de ser ouvida em suas revelações involuntárias.
Ruas ainda cheias. Talvez o mundo tenha parado. Mas agora voltou ao seu ciclo natural.
Estação.
Anda. Ainda pensando. Sonhando. Ou tentando não sonhar. Imagina. Mil situações. Muitas delas não virão a ser realidade. Quem sabe. Ninguém conhece o dia de amanhã.
Não sabe se está radiante ou triste. É a doce confusão que toma conta do coração que se recusa a ouvir a própria voz.
No meio da multidão de fim de tarde pega o trem para casa.
Droga. Droga. Não acredito.
Percebe já no meio do caminho que pegou o trem errado.
Não acredito que confundi o lado. Há quanto tempo isso não me acontecia.
Desce. Atenta atravessa a passarela.
Adentra o trem correto. Ruma. Esquece momentaneamente do acontecido, da conversa, dele.
Chega. Saída da estação. Caminha tranquilamente. Relembra. E seus passos dissolvem-se em meio a tantos outros pensamentos incertos.
20 outubro 2009
Decisão
Pensa, pensa, pensa.
Isto não lhe saía da cabeça.
Deitada na cama, observou o horário: oito da manhã. Ainda teria algumas horas de sono livres caso desistisse de tentar compreender o incompreensível. Ótimo, pensou, mais vale dormir para esquecer as mazelas da vida que ficar remoendo cada vírgula.
Mas a tentativa era tão inútil quanto tentar guardar um segredo; é possível não contá-lo, mas nunca esquecê-lo. Assim estava sua mente e seu coração. Ninguém sabia totalmente de suas inquietações, mas elas estavam presentes em cada minuto de seu dia.
Nem mesmo eu sei. Foi o primeiro pensamento que lhe ocorreu, às dez, ao precisar acordar realmente. Seria maravilhoso se pudesse dormir até passar todo o sofrimento. Que ideia imbecil! Teria que estar acordada e alerta, para resolver pessoalmente todos os problemas.
Tentou pensar no assunto novamente, enquanto a água morna do banho molhava seu corpo nu. Mas uma nevoada de novos pensamentos invadiu sua mente, levando para longe os relativos àquele homem que ela havia amado tanto, origem de seu tormento.
Era preciso reconhecer, nas coisas do amor não se pensa. Classificar não adianta, colocar em pequenos blocos as lembranças é impossível, vigiar a imaginação é tarefa que não se mantém acima de dois minutos.
O que fazer, então?
O medo de deixar nas mãos do destino era grande. O tempo poderia levar para longe as boas lembranças do amor, deixando apenas os sentimentos ruins.
A decisão teria de ser tomada em breve, restava saber de qual forma chegaria.
Isto não lhe saía da cabeça.
Deitada na cama, observou o horário: oito da manhã. Ainda teria algumas horas de sono livres caso desistisse de tentar compreender o incompreensível. Ótimo, pensou, mais vale dormir para esquecer as mazelas da vida que ficar remoendo cada vírgula.
Mas a tentativa era tão inútil quanto tentar guardar um segredo; é possível não contá-lo, mas nunca esquecê-lo. Assim estava sua mente e seu coração. Ninguém sabia totalmente de suas inquietações, mas elas estavam presentes em cada minuto de seu dia.
Nem mesmo eu sei. Foi o primeiro pensamento que lhe ocorreu, às dez, ao precisar acordar realmente. Seria maravilhoso se pudesse dormir até passar todo o sofrimento. Que ideia imbecil! Teria que estar acordada e alerta, para resolver pessoalmente todos os problemas.
Tentou pensar no assunto novamente, enquanto a água morna do banho molhava seu corpo nu. Mas uma nevoada de novos pensamentos invadiu sua mente, levando para longe os relativos àquele homem que ela havia amado tanto, origem de seu tormento.
Era preciso reconhecer, nas coisas do amor não se pensa. Classificar não adianta, colocar em pequenos blocos as lembranças é impossível, vigiar a imaginação é tarefa que não se mantém acima de dois minutos.
O que fazer, então?
O medo de deixar nas mãos do destino era grande. O tempo poderia levar para longe as boas lembranças do amor, deixando apenas os sentimentos ruins.
A decisão teria de ser tomada em breve, restava saber de qual forma chegaria.
06 outubro 2009
É outubro
Mas não há flores pelas ruas, não há sol pela janela. Há uma vontade louca de encontrar um espaço no mundo, apenas um pequeno furo e abrigar-se nele. Esperar que o primeiro raio de sol, prenúncio da felicidade, ilumine a esperança e clareie a verdade. Aguardar pelo momento do fim, anúncio de um novo começo. Momento aguardado. Ao contrário da morte, um caminho novo, que faça a vida pulsar e gritar a plenos pulmões.
Que a primavera finalmente aconteça. Que chegue o verdadeiro verão. Que a instabilidade da natureza não atinja o coração. Se ao menos pudesse tocar a lua e aproximar seu brilho da Terra, para afastar do mundo um pouco da escuridão. Mesmo que o brilho seja emprestado, qualquer alento é uma benção.
Que os sentimentos aflorem. Que a doce brisa da estação traga novamente o calor do amor. Que este verão revele segredos. Que cause a deliciosa sensação de amar e ser amado, de sentir a felicidade vazar por cada poro, de desejar ao mundo uma pequena parcela da alegria que embriaga o coração.
E que, ao passar, a estação deixe os amores quentes. Que a nostalgia seja apenas uma espera ansiosa pelo próximo verão. Que não seja mais a tristeza do arrependimento. A dor da ilusão.
15 setembro 2009
Eu e você
Eu e você
Como o sol e a lua
Como o rio e o mar
Dois opostos
Paradoxos
Cuja união permanente
Nunca concretizará
Porém,
Desafiar as leis da natureza
É o espetáculo mais belo
Que podem propiciar
Aos que esperam chegar
Apenas raramente
Podem se encontrar
Um amor impossível
Que é o mais lindo
Um pequeno colírio
Aos olhos do mundo
Um sonho aguardado
Que acontece
Esporadicamente
No céu ou no mar
Um encontro
Efêmero, é verdade
Mais belo que a eternidade.
Como o sol e a lua
Como o rio e o mar
Dois opostos
Paradoxos
Cuja união permanente
Nunca concretizará
Porém,
Desafiar as leis da natureza
É o espetáculo mais belo
Que podem propiciar
Aos que esperam chegar
Apenas raramente
Podem se encontrar
Um amor impossível
Que é o mais lindo
Um pequeno colírio
Aos olhos do mundo
Um sonho aguardado
Que acontece
Esporadicamente
No céu ou no mar
Um encontro
Efêmero, é verdade
Mais belo que a eternidade.
01 setembro 2009
Nascer de Novo
Surge o concreto,
a dor de formas repartidas.
Tão doce era viver
sem alma, no regaço
do cofre maternal, sombrio e cálido.
Agora,
na revelação frontal do dia,
a consciência do limite,
o nervo exposto dos problemas.
Sondamos, inquirimos
sem resposta:
Nada se ajusta, deste lado,
à placidez do outro?
É tudo guerra, dúvida
no exílio?
O incerto e suas lajes
criptográficas?
Viver é torturar-se, consumir-se
à míngua de qualquer razão de vida?”
“Eis que um segundo nascimento,
não adivinhado, sem anúncio,
resgata o sofrimento do primeiro,
e o tempo se redoura.
Amor, este o seu nome.
Amor, a descoberta de sentido
no absurdo de existir.
O real veste nova realidade,
a linguagem encontra seu motivo
até mesmo nos lances de silêncio.
A explicação rompe as nuvens, das águas,
das mais vagas circunstâncias:
não sou eu, sou o outro
que em mim procurava seu destino.
Em outro alguém estou nascendo.
A minha festa,
o meu nascer poreja a cada instante
em cada gesto meu
que se reduz a ser retrato, espelho,
semelhança de gesto alheio
aberto em rosa”.
Se cada pessoa soubesse falar de amor com um pouco da sensibilidade dele, o mundo seria mais apaixonado.
31 agosto 2009
Se
Se não há mais saudade
Vá com Deus
Se a lembrança é pouca
Vá com Deus
Se o coração não reclama
Vá com Deus
Se os lábios esfriaram
Vá com Deus
Se os sonhos mudaram
Vá com Deus
Se não passava de ilusão
Vá com Deus
Se há outra opção
Vá com Deus
Se a grama está amarela
Vá com Deus
Se a vontade é pouca
Vá com Deus
Se as noites estão tranquilas
Vá com Deus
Se o futuro é incerto
Vá com Deus
Se ainda existe esperança
Fique com Deus
26 agosto 2009
O que não é amor
Fácil falar de amor.
Difícil é falar sobre o que não é amor. Amor não é o que não se consegue expressar. Esta é a maior prova da falta de amor. Se você não sabe dizer o quanto alguém é importante para você, se não sabe como seria sua vida sem ela, então não é amor.
O amor foi gerado com a expressão. Impossível guardar para si tanto amor, pouco provável não saber dizer com todas as palavras o que está lá. Tudo o que existe pode ser expresso.
O amor não é duvidoso. Quem ama não tem tempo de desconfiar.
O amor não suga. De que importa a pessoa não estar presente hoje se estará todo o resto do tempo?
O amor não cobra. Tudo o que é realmente nosso não precisa ser reivindicado.
O amor não morre. Pode dormir, mas sempre acorda revigorado.
E, acima de tudo, o amor não respeita regras. O amor não obedece aos escritores, nem aos poetas. O amor se renova constantemente, como se pregasse uma peça em todos que tentam falar sobre ele. Não pode ser catalogado.
Tudo o que se fala hoje sobre amor amanhã estará velho.
O amor pode ser algo único, mas não é muitas coisas.Por Tamiris Gomes
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28 julho 2009
Raya, Ahava e dod
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Se o amor é a eterna busca pelas três chamas distintas que, unidas, traduzem-se em amor, então a sensação de plenitute e o sentimento de estar completo talvez ainda faltem a muitos. Talvez alguns cansem da busca, outros nem mesmo procurem. Talvez alguns rendam-se ao raya, ao ahava ou ao dod, sentindo-se demasiado pequenos para ter a benção de viver os três juntos. Talvez toda esta história de amor não exista a não ser em um plano utópico. Talvez não passe de mentira.
Talvez exista, mas seja muito difícil de encontrar.
08 julho 2009
Poema
Pegou um velho pedaço de papel carta e escreveu:
Ao escrever a última palavra, levantou a cabeça rapidamente, como se algo a tivesse acordado de um sonho. Amassou o papel e, com um fósforo, o queimou. Ele nunca saberia a falta que fazia.
07 julho 2009
SMS
Seus olhos ardiam. Como se uma radiação os tivesse atingido.
Eram aproximadamente três da tarde e o peso de uma dor ainda pendia sobre seus ombros.
Foi então que recebeu uma mensagem. Seu celular emitiu o som característico de SMS. Há quanto tempo não recebia um torpedo?
Sentiu o coração saltar dentro do peito. Era uma única mensagem, solitária. Mas significava muito mais do que o pequeno espaço em que estava poderia expressar. Na verdade, naquele momento, significava mais que o universo, significava a sua paz.
Dizia simplesmente: "Estou bem. Curado".
Lembrou-se do emissor daquela mensagem, da dor que tinha causado a ele quando, em um dia de inverno, decidiu acabar o relacionamento de anos e mergulhar em uma nova aventura. Havia deixado aquele que pensou amar de forma crua, definitiva e direta. Soube que ele sofrera mais do que poderia suportar saber. Tratou, então, de cortar todas as possibilidades de contato, para deixar que ele sofresse sozinho.
Muita coisa acontecera nos últimos sete meses. O novo amor não fora tão amável quanto parecia e tinha acabado. Chegou a uma conclusão redentora: precisava ficar sozinha. Só. Mas algo ainda perturbava seu sono, mesmo que não quisesse admitir. A dor que havia causado em duas pessoas e a si mesma não a deixava seguir em frente. Sentia-se parada no tempo.
Foi desta forma que a mensagem repentina levou com a mesma rapidez o pequeno demônio silencioso em sua mente.
Finalmente. Três palavras de um aparelho moderno tinham o poder de soltar as algêmas de sua alma.
Ele estava bem. Feliz. Curado de tal forma que lhe permitia enviar um torpedo libertando a escrava de seu passado. Ela estava perdoada, era a redenção. A pequena fagulha de egoísmo presente em todo ser humano não a atingiu. Enquanto algumas pessoas desejam o amor alheio mesmo que não amem, tudo o que ela esperou por todos aqueles meses era justamente o contrário. O fato do amor dele ter acabado significava que ela poderia voltar a amar novamente.
Talvez ainda significasse que, em algum lugar acima das nuvens, outro ser também a havia perdoado. Essa era a verdadeira liberdade.
Eram aproximadamente três da tarde e o peso de uma dor ainda pendia sobre seus ombros.
Foi então que recebeu uma mensagem. Seu celular emitiu o som característico de SMS. Há quanto tempo não recebia um torpedo?
Sentiu o coração saltar dentro do peito. Era uma única mensagem, solitária. Mas significava muito mais do que o pequeno espaço em que estava poderia expressar. Na verdade, naquele momento, significava mais que o universo, significava a sua paz.
Dizia simplesmente: "Estou bem. Curado".
Lembrou-se do emissor daquela mensagem, da dor que tinha causado a ele quando, em um dia de inverno, decidiu acabar o relacionamento de anos e mergulhar em uma nova aventura. Havia deixado aquele que pensou amar de forma crua, definitiva e direta. Soube que ele sofrera mais do que poderia suportar saber. Tratou, então, de cortar todas as possibilidades de contato, para deixar que ele sofresse sozinho.
Muita coisa acontecera nos últimos sete meses. O novo amor não fora tão amável quanto parecia e tinha acabado. Chegou a uma conclusão redentora: precisava ficar sozinha. Só. Mas algo ainda perturbava seu sono, mesmo que não quisesse admitir. A dor que havia causado em duas pessoas e a si mesma não a deixava seguir em frente. Sentia-se parada no tempo.
Foi desta forma que a mensagem repentina levou com a mesma rapidez o pequeno demônio silencioso em sua mente.
Finalmente. Três palavras de um aparelho moderno tinham o poder de soltar as algêmas de sua alma.
Ele estava bem. Feliz. Curado de tal forma que lhe permitia enviar um torpedo libertando a escrava de seu passado. Ela estava perdoada, era a redenção. A pequena fagulha de egoísmo presente em todo ser humano não a atingiu. Enquanto algumas pessoas desejam o amor alheio mesmo que não amem, tudo o que ela esperou por todos aqueles meses era justamente o contrário. O fato do amor dele ter acabado significava que ela poderia voltar a amar novamente.
Talvez ainda significasse que, em algum lugar acima das nuvens, outro ser também a havia perdoado. Essa era a verdadeira liberdade.
23 abril 2009
Esta não é uma carta de amor
Por muito tempo escrevi cartas de amor, sem perceber que, na realidade, elas não tinham importância. Paixão e amor são duas coisas completamente diferentes. A paixão é rápida e impaciente. O amor é calmo e espera. Quem está apaixonado sente como se tudo pudesse acontecer ao mesmo tempo e deseja que seu querido saiba de todos os seus sentimentos, porém, ao tentar passar para o papel, não consegue nada além de um emaranhado de palavras soltas e sem nexo.
Por muito tempo eu fiz isso. Pensei que te amava desde o começo e enviei muitas cartas de amor sem sentido. Agora percebo o que elas significavam para você. A maioria das coisas que escrevi provavelmente não foi absorvida, pois nem mesmo eu tinha certeza do que escrevia. Quando estamos apaixonados temos lapsos de sentimentos; em um segundo achamos que podemos abraçar o mundo e queremos exteriorizar. Porém, não passa de um momento de hormônios burbulhantes. Estes hormônios nos enganam e nem percebemos o quanto.
Eu errei. Como errei. Escrevi tantas bobagens. Estava sem controle.
A paixão se transforma em amor de uma forma imperceptível. Em algum momento um Big Bang aconteceu dentro de mim e passei a te amar, de forma incondicional. Hoje o sentimento que tenho dentro de mim é algo que já não tento explicar. Percebi o quanTo é bom viver sem precisar expressar cada faísca do meu ser. Essa transformação aconteceu sem eu saber como, porque e quando. Algumas coisas na vida acontecem dessa forma, são passagens que só podem ser percebidas algum tempo após acontecerem. São aqueles acontecimentos que paramos para pensar em algum momento de nossas vidas, aqueles que parecem sem importância e nos revelam o quanto mudamos.
Hoje sou capaz de fazer isso. Olho para trás e vejo que errei com você, em muitos aspectos. Mas, acima de tudo, te amei, te amo e te amarei. O que sinto por você não precisa de explicação, pois você sente o mesmo. Quando olho nos seus olhos sinto o mesmo calor que sente quando olha nos meus. Quando sinto suas mãos, existe uma conexão que as faz se encaixar perfeitamente nas minhas, como se uma precisasse da outra para sobreviver. E sei que você percebe isso. Tudo o que sinto por você, sente por mim e talvez não saiba, pois não tem o hábito de filosofar sobre a vida, mas eu faço isso por nós dois.
Sinto-me tão tranqüila neste momento. Sei que o sentimento entre nós dois nunca precisou de palavras, nem explicações. Você sempre tentou me mostrar isso, me ensinar que eu conseguiria descobrir qualquer coisa sobre você apenas olhando nos seus olhos. Eu não preciso de cartas de amor, não preciso de palavras pensadas, de sentimentos exteriorizados. Escrevo porque amo, não porque você precisa ler, pois já sabe de tudo. Sinta-se livre de todas as cobranças que já te fiz, as cartas que cobrei, a demonstração que pedi. Não preciso de provas, pois já tive a maior de todas.
A compreensão que tem tido me encantou. Isto me fez te amar um pouco mais a cada segundo. Não entendi e ainda não consigo compreender como pode ser assim. Você é tão diferente de mim! Uma vez me disse que era bom eu observar como você agia comigo, pois era assim que gostaria que eu agisse com você. E eu nunca agi. Como fui negligente. Desculpe-me por todos esses momentos, nos quais te fiz sofrer.
Não, não chore. O amor não é feito para o sofrimento. O amor liberta e é a única forma de sermos felizes. Sem amor nada existe. Se não amamos as flores, os animais, as pessoas, o céu, o nosso dia-a-dia; não existe vida.
Quando olho para você vejo esse amor. Sou a pessoa mais feliz do mundo e ninguém pode me provar o contrário. Sou também a mais instável e sei o quanto isto te incomoda. Perdoe-me. Perdoe-me por tudo o que te fiz sofrer, por toda a minha instabilidade. Como você conseguiu ter tamanha paciência? Agradeço especialmente a Deus todos os momentos da minha vida, por ter encontrado você. Sei que parte do que é hoje foi influenciado por mim, porém descobri que você vem me influenciando de uma maneira que nunca imaginei. A sua bondade, o seu afeto, sua paciência e a sua persistência em manter nosso relacionamento feliz, estão mudando a minha forma de perceber o mundo. No fundo, você é muito melhor do que sou. Ainda tenho muito que aprender com você.
Olho para o meu passado e te enxergo, olho para o futuro e lá está você. Tenho certeza de que não farei nada que não queira, porém, quando penso na minha vida, quero você. Quero formar uma família, ter um filho com os seus olhos, ver o seu cabelo bagunçado todas as manhãs e envelhecer depois de ter conhecido o mundo ao seu lado. Nada nessa vida é eterno, talvez estas coisas aconteçam, talvez não. Hoje tenho a maturidade suficiente para desejar, mas também para esperar. A paciência é um dom sobre o qual Deus escolheu você para me ensinar. Tenho aprendido muito nestes últimos tempos da minha vida. Aprendi muitas coisas, a venda dos meus olhos foi tirada. Todas essas mudanças foram em parte boas e ruins. Mas, sinto que, em relação a você, me tornei melhor. Estou mudada, meu amor, espero que goste de quem me tornei.
Não há necessidade de finalizar com “Eu te amo”, pois nós já sabemos disso.
07 abril 2009
Os jovens querem casar?
Jovens e relacionamento, assunto tão batido quanto clara de ovo em neve. Porém, as discussões em torno desta questão nunca chegam a uma resposta definitiva para a pergunta: afinal, os jovens querem um relacionamento duradouro?
Ao longo do meu pouco tempo de vida conheci pessoas de diferentes tipos; alguns adoram paquerar, outros curtem baladas, há os que nem saem, quanto mais para paquerar. Os quietinhos, os ousados, homens e mulheres, com formas distintas de pensar. Mas, da maioria destes, seja do sexo feminino ou masculino, já ouvi a frase: “quero namorar”. No começo foi surpreendente escutar dos meus amigos mais baladeiros uma frase dita tão conservadora, principalmente para uma geração como a nossa, a geração Y, do jovem arrojado, descolado e cujo lema é praticar o desapego. Porém, percebi que não é tão assutador assim um jovem, seja como ele for, querer namorar, devido a um fato muito simples: chegamos a este mundo sozinhos, mas não queremos sair dele da mesma forma. É inegável. A idéia de envelhecer sozinho enlouquece a cabeça de qualquer um, mesmo a de um jovem.
A juventude de hoje não é somente preocupada com o futuro profissional. Esta preocupação acaba trazendo, mesmo inconscientemente, pensamentos sobre o futuro sentimental. Afinal, quando nos pegamos pensando em ganhar cinco mil reais aos 25 anos, pensamos também no que faremos com todo este dinheiro e este pensamento esbarra frequentemente no desejo de dividir as experiências futuras com alguém especial.
Em algum momento da vida - e este momento geralmente é por volta dos 20 anos – paramos e pensamos que ter amigos é legal, sair todos os fins de semana também, dever satisfação somente para os pais (ou nem isso) é o máximo, mas…Será que embarcar em um relacionamento e ter alguém com quem dividir uma pipoca de microondas em um domingo chuvoso não vale a pena, também?
Tenho como provar minha hipótese com dois tipos muito diferentes de pessoas: os que adoram namorar e os que dizem odiar: os primeiros deram uma chance ao relacionamento e perceberam que, apesar das obrigações, ter, em uma só pessoa, um namorado (a), um amigo (a), um companheiro (a) de balada, entre outras coisas; é uma troca muito justa. Já os que não gostam de relacionamentos repetem isto aos quatro ventos simplesmente por um motivo: medo. Medo de se apegar, de perder a liberdade, de estar com uma única pessoa. Mas, mesmo essas pessoas sabem que um relacionamento duradouro é a solução para uma aflição tão grande do ser humano: ficar sozinho. Não namoram apenas por não acharem que estão prontos para pagar o preço.
Ninguém quer ficar sozinho. Esta é a grande verdade. Quando crianças precisamos de amigos, quando adolescentes necessitamos, além dos amigos, de alguém em quem pensar, ao menos. Jovens começam a amadurecer e se dão conta de que só ficantes não é o suficiente e adultos casam. Idosos, em algum momento, acabam por voltar ao cuidado dos filhos, quando seus companheiros se vão. Este é o destino das pessoas; a eterna busca por companhia.
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