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13 julho 2010

letargia

Uma pessoa apaixonada perde a vontade de fazer qualquer coisa  que não seja amar.
Os desejos perdem sentido, os sonhos diminuem, os anseios somem.
Por um curto espaço de tempo, o apaixonado esquece de sua humanidade e não atribui outro valor à vida se não o de dedicar-se fielmente ao ser amado.
É uma entrega de corpo, alma, pensamentos, ações e sentidos.
Parece não haver energia suficiente para as atividades do cotidiano, pois toda a carga disponível é gasta em longas horas definhando
sobre todas as situações possíveis e impossíveis. Algumas jamais chegarão a acontecer.
É uma espécie de letargia boa.
Nada mais soa tão interessante. Mas quando a pessoa surge no campo de visão, todos os sentidos voltam à tona e se concentram especialmente em observá-la atentamente, comparando o real ao projetado, apenas confirmando, a cada momento, o quanto ela é apaixonante.
É divertido, bobo, com um quê de triste. Mas é a realidade não controlável de alguém que perde toda a racionalidade e pensa estar com a situação sob controle quando, na verdade, seus sentimentos podem domá-lo como o mais dócil dos animais.

21 junho 2010

eu tava pensando...

que o vício é a extrema necessidade de ter algo que, até então, não fazia falta.

O amor é a descoberta de algo que se procurou a vida toda.

A paixão é o amor com uma pitada de vício.

10 junho 2010

sobre coisas importantes

Paixão é uma coisa mágica e também estranha. Pode ser muito boa, ou muito ruim.
O mais incrível da paixão é a quase impossibilidade de evitá-la. Não se sabe bem onde começa e pra onde vai.
É como querer vencer uma batalha sem saber a estratégia do inimigo.
Às vezes ela evolui, encontra terreno fértil e vira o famoso amor. Às vezes simplesmente morre no meio do caminho.
Às vezes passa rápido, às vezes é sofrida.
Certa vez ouvi algo que nunca vou esquecer: todos os filmes, poemas, músicas, toda e qualquer palavra dita sobre o amor, são, na verdade, sobre a paixão.
O amor é maior que todas as palavras, verdade. Mas, além disso, é a paixão que libera toda a energia da expressão. É ela quem nos faz querer gritar e espalhar não só para a pessoa amada, mas pra todo o mundo, o que estamos sentindo.
O amor é calmo, já dizia o poeta. Ele é simplesmente vivido, sentido. Ele simplesmente é.

11 janeiro 2010

A conversa

Centro da cidade.
Prédios de média estatura, indecisos entre o creme e o cinza, pintando a cidade. Buzinas, pessoas, um vai e vem quase infinito.
Ela desliza por entre as lojas, olhando vitrines, sem um objetivo certo.
Calçadas cheias, quase nenhum espaço para pensar.
De repente uma voz. Olá.
É ele. Nossa. É ele.
E como uma forte rajada de vento, o coração dispara. Não quer parar.
Para. Por favor. Para coração. Por cinco minutos. Nem que eu pare de respirar. Só não quero morrer de amor.
Mas o que estou dizendo, pensa. Não pode ser. Não estou apaixonada. Não por ele. Não pode realmente ser verdade.
A conversa flui. Nervosa.
Um beijo de cumprimento. Um sorriso. Ah! Que lindo sorriso. Uma voz meiga. Um novo sorriso. Uma lembrança de momentos vividos. Um passado não tão distante.
Mas o que é realmente isso? Sua mente divaga novamente. Como se estivesse em dois lugares ao mesmo tempo, começa a pensar sobre aquele momento enquanto ainda o vive. 
Tenta entender o que não tem explicação. Tenta enganar o próprio coração.
A paixão, quando chega, afinal, não pede mesmo licença. Simplesmente entra. Às vezes com pequenos avisos sutis. Às vezes com um disparar intenso de coração.
Pode-se controlar até certo ponto. Depois...Bom, depois ele escreve sua própria história. E então vivemos à deriva de sua vontade, como meros espectadores.
Para coração. Eu suplico. Não quero. Não vou me apaixonar. Não posso. Não devo. Muito menos por ele. Aquele que há um mês me deixou parada na porta, sem saber qual o próximo passo.
Vontade de ultrapassar os limites da pele. Tocá-lo. Fazê-lo parar. Medo de ser ouvida em suas revelações involuntárias.
Ruas ainda cheias. Talvez o mundo tenha parado. Mas agora voltou ao seu ciclo natural.
Estação.
Anda. Ainda pensando. Sonhando. Ou tentando não sonhar. Imagina. Mil situações. Muitas delas não virão a ser realidade. Quem sabe. Ninguém conhece o dia de amanhã.
Não sabe se está radiante ou triste. É a doce confusão que toma conta do coração que se recusa a ouvir a própria voz.
No meio da multidão de fim de tarde pega o trem para casa.
Droga. Droga. Não acredito.
Percebe já no meio do caminho que pegou o trem errado.
Não acredito que confundi o lado. Há quanto tempo isso não me acontecia.
Desce. Atenta atravessa a passarela.
Adentra o trem correto. Ruma. Esquece momentaneamente do acontecido, da conversa, dele.
Chega. Saída da estação. Caminha tranquilamente. Relembra. E seus passos dissolvem-se em meio a tantos outros pensamentos incertos.