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05 agosto 2009

Queria ser




Às vezes eu queria ser veterinária, só para salvar a vida de um animal.

Às vezes eu queria ser eletricista, só para saber como funciona uma televisão.

Às vezes eu queria ser médica, só para usar um jaco branco.

Às vezes eu queria ser engenheira, só para construir minha própria casa.

Às vezes eu queria ser ilustradora, só para saber desenhar bem.

Às vezes eu queria ser homem, só para entendê-los.
Às vezes eu queria ser mãe, só para ouvir esta palavra direcionada a mim.

Às vezes eu queria ser bailarina, só para conseguir fazer um passé.

Às vezes eu queria ser atriz, só para fazer um filme.

Às vezes eu queria ser uma mosca, só para passar em qualquer fenda.
Às vezes eu queria ser analista, só para entender o mistério de um computador.

Às vezes eu queria ser psicóloga, só para não ficar mal.

Às vezes eu queria ser um rio, só para nunca passar pelo mesmo lugar.

Às vezes eu queria ser uma criança, só para esquecer rápido.

Às vezes eu queria ser um pássaro, só para saber como é voar.


Em alguns momentos eu gostaria de ser qualquer outra coisa para não ser eu mesma.
Então lembro que, neste exato momento, alguém gostaria de ser como eu.

20 março 2009

PHILIA





O amor materno é o mais perfeito. É amor humano mais verdadeiro, está somente abaixo do amor de Deus pelos homens.
Muitas mães com certeza seriam capazes de prender seus pés e mãos e padecer na cruz por seus filhos. Não quero, de forma alguma, comparar o amor de Jesus Cristo com qualquer coisa mundana, apenas ilustrar o que sinto deste amor.
Dizem que ser mãe é padecer no paraíso, mas acredito que o verdadeiro sentido desta frase não seja entendido por muitos. Ser mãe é sim estar no paraíso, é uma dádiva, um presente divino e deve ser guardado como um tesouro. Às mulheres que receberam este presente, Deus quis que emanasse de seus olhos um brilho intenso, um sopro de carinho e cuidado, um cheiro de amor que somente mães e filhos podem sentir e entender.
Ser mãe e ser filha é um privilégio feminino. É como um agradecimento a Deus por tudo o que somos, por sermos mulheres. Excluindo-se qualquer comentário masculino, que taxe este texto de feminista, antes alego que apenas sinto uma forte ligação entre filhas e mães, mulheres. Com isto não digo que o amor de uma mãe por seu filho homem seja menor do que o mesmo por uma menina. Falo apenas do sentimento de cumplicidade que existe entre duas mulheres, pois só entre elas é possível saber realmente o que significa ser mãe.
Não sou mãe, mas sou mulher. Sou filha e, se Deus quiser, futura genitora. Sou capaz de sentir, mesmo sem nunca ter vivenciado, a magia de ver alguém crescendo dentro de mim, o calor de abraçar a barriga com as próprias mãos e saber que estou abraçando meu filho, meu fruto, meu presente. Se não fosse algo realmente divino e merecedor não agüentaríamos o farto do parto, não suportaríamos a pressão de sermos eternamente responsáveis por alguém. Mas seguimos nosso caminho e destino, pois somos gratas a Deus por esta dádiva.
Digam o que quiserem de muitas mães que abandonam seus filhos, fazem maldades e chegam, até mesmo, a matá-los. Não acredito que as façam por falta de amor, mas sim por qualquer sorte de problemas psíquicos, financeiros, sociais e religiosos. Não é possível, para uma mulher, não amar o que cresceu dentro de si, da mesma forma que não é possível odiar a si mesmo.
Parabéns a nós, mulheres, somos todas mães mesmo quando não nos é dado este dom fisicamente, somos amantes, amigas, filhas e vencedoras. Somos, apenas, abençoadas por Deus.