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09 junho 2013

o verdadeiro medo

Sentimento.
Serpente
que vem e vai.

Devorando tudo
Tão belo e devastador
Seduz a presa
dá o bote
magnífico.

Se dolorido não fosse
Teria toda a beleza
  do mundo em si.

Sentir.
É a isso que
 precisamos temer.

29 março 2010

Sobre o amor Parte 2

Mas, afinal, o que é o amor? O que uma pessoa sente que a faz ter certeza de amar alguém?

E paixão, o que é?

Já quando alguém diz: gosto de você. O que isso significa? Ou simplesmente significa que gosta de você, sem questionamentos profundos, sem porquês?

Racionalizar sobre sentimentos e dedicar muito tempo a eles é coisa de mulher? É besteira? Nos últimos tempos da minha vida tenho recebido boas provas que me levam a responder um sonoro NÃO a essas duas últimas questões.

Como toda pessoa comum, em formação, eu costumava categorizar tudo o que via pela frente. O amor era isso e não aquilo. As pessoas eram de uma forma ou de outra. Alguém era bom ou mau. A fecilidade era uma coisa e não outra. A vida era linear e romanticamente simples. Não preciso dizer que todos esses pré-conceitos caíram por terra. Eu, que já detestava julgar, fiz desse princípio meu tema de vida.

Não classificar as pessoas em caixinhas me fez entender muito sobre tanas coisas. Me faz entender porque casais de quinze anos podem realmente se amar, mesmo que pareçam novos pra isso. Porque algumas pessoas têm tanta convicção que amam e outras que não amam. Porque o amor passa por cima de tudo. Porque as pessoas abrem o mais profundo que existe em seus corações para outrem. Porque um sentimento forte acaba de repente. Porque um sentimento nasce de repente. Porque alguém se transforma de desconhecido a grande amor. Porque as pessoas tem tanto medo de magoar. Porque mentem. Porque traem. Porque uns são tão fracos e outros tão fortes. Porque alguns namoram cinco anos e acabam e outros três meses e casam. Porque um beijo pode ter mais valor que todo o ouro do mundo. Porque as pessoas insistem em algo que tem indícios fortes de ruir. Porque o coração dispara e a mão treme ao ver alguém e nada acontece ao ver outra. Porque nos interessamos por alguém e não por outro. Porque acreditamos no amor a ponto de nos machucarmos ao extremo. Porque a única forma de compreender totalmente o outro é sentir o mesmo que ele. E porque fazemos tudo isso de novo e outra vez. E porque, mesmo depois da pior desilusão amorosa, voltamos a acreditar no amor.



E talvez, um dos mistérios do amor e de seus sentimentos adjacentes, seja o fato de sentir uma leve felicidade, quase imoral, por escrever sobre todas essas coisas e mesmo assim continuar sem entendê-las. Pode ser pela certeza que mora em mim, de que os sentimentos do mundo sempre terão uma surpresa esperando na proxima esquina, mesmo quando eu achar que já descobri todos os mistérios, a vida irá me  mostrar que os mistérios da felicidade são grandes o bastante para preencher toda uma vida.

Sobre o amor Parte 1

Em meio a trabalhos de faculdade, textos pra ler e jobs na mesa, dou uma pausa para falar de um assunto que tem povoado 99% dos meus pensamentos, de todas as formas possíveis. É algo um tanto quanto complicado de falar, um daqueles temas que, quando queremos exteriorizar, falamos por meias palavras, usando parábolas e exemplos que parecem não ter nada a ver com a nossa realidade, mas que no fundo é exatamente o que estamos vivendo. Por esse motivo esse seja talvez o texto mais sincero que eu já escrevi e publiquei. Sim, há outros que nunca serão compartilhados. Mas esse, sabe-se lá porque, merece uma atenção especial.


O amor.
O maior clichê da humanidade.

Como é complicado, e muitas vezes enfadonho, falar e ler sobre o amor. E talvez seja simplesmente pela agonia de tentar entender algo que nunca ninguém conseguiu explicar. E também pela ânsia em ver na boca de outrem palavras que podiam ter saído da nossa boca. Ou simplesmente a incapacidade de entender sentimentos quando a ausência deles impera em nós.
E é justamente nesse momento da vida pelo qual, acredito eu, todos passam, que nos vemos diante de aceanos de pensamento, do estilo: deve ter algo de errado comigo. Como posso não sentir nada. Como pode existir ausência de amor? Como posso não conseguir derramar sequer uma lágrima, mesmo precisando disso?
E, acreditem em mim, esse momento existe. Mesmo com as pessoas que se dizem mais românticas. Nenhum coração reage bem à dor. Ele sempre vai rebater com a ausência de sentimento. Isso não significa nada além de um escudo invisível contra mais sofrimento. É bem difícil de entender, mas fica claro como água quando se vive algo assim.

Comecei a pensar nessas coisas todas do coração e agrupá-las melhor na cabeça quando tive uma conversa muito esclarecedora, na qual o amor foi definido, muito sabiamente, como um fluxograma:
Eu gosto de você > você gosta de outra > que gosta de outro >
E por aí vai. A conclusão óbvia é o quão difícil é fazer a setinha virar pra gente. Como é raro e praticamente impossível amar e ser amado.
Não estou falando de namoros longos, casamentos de uma vida. Nada disso necessariamente significa um relacionamento pautado no amor. O nome disso é comodidade, paixão, medo, insegurança, carinho, companherismo e muitos outros sentimentos bons ou ruins.
O que quero dizer é que, ao contrário do que pensei durante quase a vida toda, o amor talvez não seja totalmente descoberto até que se perca. Que outra razão teria para tantas pessoas arrependidas e desesperadas ao final de relacionamentos que julgavam nem serem tão importantes. No começo pode ser por uma série de razões, como as citadas acima. Mas quando a pessoa vê os meses e anos passarem e aquela convicção continua viva em seu coração, aí eu me pergunto: será isso o verdadeiro amor?

Esse pensamento pode levar a uma conclusão fatalista: o amor está predestinado a nunca ser concretizado. Afinal, se descobrimos apenas o quanto amamos alguém quando perdemos e se não conseguimos reconquistar esse amor, que outra certeza pode-se ter senão que o amor é platônico, por definição?
Posso falar o que acho? Que nem eu, nem ninguém, tem a resposta para essa pergunta. E, se leu até aqui na esperança de encontrar algo novo, uma nova visão ou, quem sabe, um simples escape, desculpe, mas vou ter que decepcioná-lo.